terça-feira, 15 de junho de 2010

Você pode mudar o mundo!




"No começo da década de 50, a Medicina ainda não contava com tantos avanços.
Um jovem sofria há muitos anos de uma doença vascular que lesava as extremidades inferiores e obrigava os médicos, de tempos em tempos, a fazerem amputações progressivas. Primeiro os pés, depois as pernas. O nome do rapaz era Johnny.
Numa das muitas consultas, o médico disse para Johnny que essa seria sua última internação. Conhecendo a fibra do seu paciente, forte e otimista desde a primeira amputação, e como ele estava encarando suas perdas ao longo dos anos, o médico avisou para ele e seus pais que a doença tinha avançado muito e que, provavelmente Johnny teria apenas mais trinta dias de vida.
Os pais choravam profusamente, mas Johnny não se assustou com a notícia. Mas uma vez agradeceu a Deus pela oportunidade de ainda ter trinta dias de vida, e que ele tinha grandes planos para esses dias.
O médico ficou intrigado com a reação dele e perguntou:
- Johnny, o que você poderá fazer em trinta dias, internado no hospital?
Os pais não aceitaram a frieza do médico. Por que questionar um jovem que sonha com coisas tão simples? A resposta do Johnny demonstrou sua força e generosidade.
- Eu vou escrever cartas, pedindo que as pessoas doem sangue. Aqui no hospital falta muito sangue e eu penso que, se eu escrever para as entidades de ajuda, como o Rotary ou a Cruz Vermelha, eles virão. As pessoas são boas e, se entenderem o que você quer fazer, elas ajudam.
Johnny escreveu diversas cartas e, confiante no resultado, pediu às enfermeiras que o levassem ao saguão do hospital cada vez que alguém viesse doar sangue.
Na primeira semana, seis pessoas vieram. Johnny foi visitar cada uma na sala que foi improvisada para receber as doações.
Para cada pessoa que vinha doar sangue, Johnny demonstrava muita alegria com o gesto e dizia como seria a vida da pessoa que receberia o seu sangue.
- Olá, eu sou Johnny. Fui eu que escrevi a carta pedindo que o senhor viesse doar sangue. Muito obrigada por ter vindo. Eu soube que a pessoa que vai receber seu sangue é 'Seu' Antonio. Ele tem três filhos que estão em grandes dificuldades porque 'Seu'Antonio está há muito tempo internado, esperando a cirurgia, mas os médicos disseram que ele não poderia ser operado sem uma reserva de sangue. O senhor não imagina como os filhos ficarão felizes por tê-lo de volta em casa.
E Johnny falava isso com tanta alegria, que as pessoas ficavam impressionadas. Depois que Johnny saía, as enfermeiras diziam:
- Ele não tem nem trinta dias de vida. Todo dia ele toma remédios fortíssimos para a dor, mas não perde aquele sorriso iluminado, ele nunca reclama.
Johnny sabia valorizar o melhor de cada pessoa. Ele sabia mostrar o quanto elas estavam fazendo a coisa certa, doando seu sangue para salvar pessoas que nem iriam conhecer. E falava que Jesus fez a mesma coisa por amor, doando Seu sangue na cruz para que os outros tivessem alguma chance, e que Ele deveria estar muito feliz com o seu gesto.
Os poucos doadores pediram, então, a seus amigos que também fossem doar sangue no hospital para conhecer o Johnny. E os doadores começaram a aparecer...
Numa das manhãs, Johnny foi levado em sua cadeira de rodas para o primeiro andar, mas de olhos vendados. Ele estava intrigado com aquela novidade e não parava de fazer perguntas. A enfermeira nada respondia.
Chegando ao auditório do hospital, a venda foi retirada e Johnny viu o salão todo decorado com bolas e faixas, lotado de pessoas que celebravam uma festa surpresa pelo seu aniversário... Ele estava tão ocupado com os doadores que havia esquecido que era o seu aniversário.
Johnny acenava para as pessoas e sorria como nunca. Em seu discurso de agradecimento, disse que aquele era o dia mais feliz de sua vida. Ele falou da alegria das pessoas que já estavam em casa pela doação. Lá estavam os doadores e os que receberam o sangue. E Johnny sabia quem tinha recebido o sangue de quem. Foi emocionante...
Neste mesmo local, uma semana depois, não apenas o auditório estava lotado, mas também todos os corredores e as filas chegavam à rua principal. Naquele dia, mais de vinte mil pessoas passaram pelo auditório. Entretanto, desta vez, não havia som de palmas e celebrações. Todos estavam em silêncio. Johnny estava morto.
As pessoas vinham olhar dentro do pequeno esquife e viam o rosto plácido de Johnny. Ele parecia sorrir em agradecimento. E, saindo dali, elas se perguntavam: o que estou fazendo com minha vida? É isso mesmo que é para eu viver? E se...?
Durante o funeral, um jovem se levantou e disse:
-Perdoe-me por interromper o momento de dor de cada um de vocês. Mas creio que o sonho de Johnny não deve morrer. Ele mudou a minha vida e encontrei uma alegria especial depois que conheci o Johnny. Isso não pode acabar aqui. Quem gostaria de continuar o trabalho que Johnny começou? - perguntou, emocionado.
Algumas pessoas se levantaram e, naquele dia, um pequeno grupo se formou. Eles iam aos hospitais, contavam a história de Johnny e a necessidade de fazer algo pelo próximo. A idéia se espalhou e outras pessoas aderiram ao projeto. Deste começo simples, temos o que hoje é conhecido como Banco de Sangue.
Milhares de seres humanos foram salvos da morte, porque aquele jovem viveu seus últimos trinta dias para o seu próximo, e não para si mesmo. O problema é que a maioria das pessoas se fixa no que falta, no que não têm... Johnny usou apenas o que ele tinha: um lápis, um pedaço de papel e um sorriso.
Você tem tudo que precisa para fazer diferença no seu mundo."

Li essa história no livro "Escolhas" de Roberto Aylmer...

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